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Para Genecias Noronha, anulação do pedido de impeachment “é mais uma manobra desesperada”

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O presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), decidiu nesta segunda-feira (9), anular a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff realizada na Casa no dia 17 de abril. Ele acolheu pedido feito pelo advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo.
 
 
Em nota divulgada à imprensa, Maranhão diz que a petição da AGU ainda não havia sido analisada pela Casa e que, ao tomar conhecimento dela, resolveu acolher. Na decisão, ele argumenta “ocorreram vícios que tornaram nula de pleno direito a sessão em questão”.
 
 
Maranhão argumenta ainda que os deputados não poderiam ter anunciado suas posições antes da sessão da Câmara que decidiu dar continuidade ao processo de afastamento da presidente Dilma. Ele também afirma que a defesa de Dilma deveria ter tido o direito de falar durante a votação do impeachment.
 
 
“Não poderiam os senhores parlamentares antes da conclusão da votação terem anunciado publicamente seus votos, na medida em que isso caracteriza prejulgamento e clara ofensa ao amplo direito de defesa que está consagrado na Constituição. Do mesmo modo, não poderia a defesa da senhora Presidente da República ter deixado de falar por último no momento da votação, como acabou ocorrendo”, afirma.
 
 
Para o líder do Solidariedade, deputado Genecias Noronha (CE) a decisão não faz parte da vontade da Casa.
 
 
“Ele deslegitimou a decisão do plenário da Câmara e de seu próprio partido. Com essa decisão, os 367 votos a favor do impeachment foram jogados no lixo. Sem dúvidas, há uma influência forte do PT. É mais uma manobra desesperada dos petistas”, afirma. 
 
 
De acordo com a assessoria da Câmara, Waldir Maranhão irá fazer um pronunciamento no Salão Verde, da Câmara, às 16h, para explicar a sua decisão.
 
 
“Quem define o processo agora é o Senado, está nas mãos do presidente Renan Calheiro, aceitar ou não essa anulação. Esse processo não está mais na Câmara dos Deputados e seguiu em caráter conclusivo para outra Casa. É absurda essa situação”, enfatiza Noronha.
 
 
O presidente
 
 
Waldir Maranhão substituiu Eduardo Cunha na presidência da Câmara na semana passada depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu afastar o peemedebista do comando da casa legislativa. 
 
 
O deputado do PP votou contra a continuidade do processo de impeachment na votação da Câmara, descumprindo decisão de seu partido, que havia fechado questão a favor do afastamento da presidente da República.
 
 
Reportagem: Polianna Furtado